DIREITOS DE QUEM TEM DISLEXIA

os direitos de quem tem dislexia

É um transtorno de linguagem de origem neurobiológica. Os disléxicos são portadores de necessidades educacionais especiais e específicas de leitura, bem como para reconhecer, soletrar e decodificar palavras. É portador de uma dificuldade, mas não de uma deficiência.

Pela legislação, os alunos com dificuldades têm direito a receber as condições especiais para desenvolver a aprendizagem. No caso dos disléxicos, uma das alternativas é receber tempo adicional para fazer as provas e, dependendo do caso, eles podem pedir auxílio a um ledor ou até fazer a prova oralmente.

A Constituição Federal (1988), no seu artigo 208, inciso III, entre as atribuições do Poder Público, o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Educar a todos, sem qualquer discriminação ou exclusão social e o acesso ao ensino fundamental, para os educandos, em idade escolar.

Na Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996), No seu artigo 4º, inciso III, a LDB diz que o dever do Estado, com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”.

No Conselho Nacional de Educação, Parecer CNE/CEB n. º l7/2001, de 03 de julho de 2001 e a Resolução CNE/CEB n.º 02, de 11 de setembro de 2001, que os sistemas de ensino devem matricular todos os educandos com necessidades educacionais especiais. A Resolução CNE/CEB n.º 02, de 11 de setembro de 2001, assim se pronuncia, no seu artigo 5º: l) Os educandos com dificuldades acentuadas de aprendizagem (inciso I).  Esses educandos são aqueles que têm, no seio escolar, dificuldades específicas de aprendizagem, ou “limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares”.

OS DIREITOS DE QUEM TEM DISLEXIA NA ESCOLA

OS PROFESSORES TÊM COMO RESPONSABILIDADE: Conhecer os sintomas de dislexia e proporcionar aprendizado, e a avaliação do mesmo, levando em consideração as particularidades. Ter claro que ele necessita muito mais tempo e contato com uma palavra impressa, a fim de que a representação da mesma seja clara e fiel ao que está escrito. Proporcionar material de leitura que lhe traga interesse e significado será mais atrativo, ao invés de ser repelido ou ter quem desempenhe a tarefa por ele, criando um abismo entre a sua dificuldade real e a sua possibilidade de aprendizado num tempo diferente. Deverá orientar e instruir, dando dicas simples e específicas de como executar determinado exercício, certificar-se que ele entendeu as instruções dadas (se forem escritas, verificar se o aluno consegue ler e compreender o enunciado, caso seja negativo o professor deverá ler para ele). Jamais pedir para que leia em voz alta (a menos que tenha certeza que ele dará conta). Proporcionar estratégias lúdicas, materiais concretos, recursos audiovisuais (computador, jogos, gravador, principalmente imagens) atividades diferenciadas e diversificadas, que auxiliem sua aprendizagem. O professor tem o dever de promover estratégias pedagógicas para alunos com dificuldade de aprendizagem, independente de deficiência, e não necessita de legislação para determinar a prática, apenas de atitudes inclusivas da escola.

COMO ENSINAR DIFERENTE O ESTUDANTE COM DISLEXIA:

  • Transformar as aulas em oficinas.
  • Fornecer o máximo de jogo pedagógicos para inserir e ensinar os conteúdos.
  • Valorize o que ele já sabe e os seus acertos.
  • Fale olhando direto para ele.
  • Fornecer (no mínimo) 20% de tempo a mais do que para os outros (seu ritmo pode ser mais lento por apresentar dificuldade quanto à orientação e mapeamento espacial).
  • Traga–o para perto da lousa e da mesa do professor.
  • Observe se ele está se integrando com os colegas. Caso contrário faça atividades que proporcionem a integração.
  • Fornecer os textos e atividades impressas, em casos raros em que seja altamente necessário a cópia, observar como ele faz as anotações da lousa e auxiliá-lo a se organizar.
  • Auxiliar o estudante a organizar a sua agenda .
  • Na hora de dar uma explicação usar uma linguagem direta, clara e objetiva e verificar se ele entendeu, se precisar repetir novamente individualmente.
  • Recorra a símbolos, sinais, gráficos, desenhos, modelos, esquemas e assemelhados, que possam fazer referência aos conceitos trabalhados;
  • Evite estímulos visuais “estranhos” ao tema em questão. Se utilizar figuras, fotos, ícones ou imagens, cuidar para que haja exata correspondência entre o texto escrito e a imagem.
  • O disléxico tem dificuldade com a memória visual e/ou auditiva (o que lhe dificulta ou lhe impede de automatizar a leitura e escrita), repita o enunciado sempre que se fizer necessário. Dê instruções curtas e simples (e uma de cada vez) para evitar confusões: Elabore questões em que o aluno possa demonstrar o que aprendeu completando, destacando, identificando.
  • Não elabore avaliações que privilegiem a memorização de nomes, datas, fórmulas, regras gramaticais, espécies, definições
  • Permitir nas séries iniciais o uso de tabuadas, material dourado, ábaco e para alunos que estão em séries mais avançadas, o uso de fórmulas, calculadora, gravador e outros recursos sempre que necessário;
  • A avaliação deve ser formativa, qualitativa, construtivista e com multimeios.
  • Avaliações que contenham exclusivamente textos, sobretudo textos longos, não devem ser aplicadas.
  • Utilize uma única fonte, simples, em toda a prova (preferencialmente “Arial 11” ou “Times New Roman 12”), evitando-se misturar fontes e tamanhos, sobretudo às manuscritas (itálicas e rebuscadas).
  • Leia a prova em voz alta, questão por questão, peça que repita o que entendeu, só após esta verificação, permita que a responda.
  • Estimule-o, incentive-o, faça-o acreditar em si, a sentir-se forte, capaz e seguro.
  • PROFESSOR, TER UM ESTUDANTE COM DISLEXIA É TER A CHANCE DE MELHORAR AS SUAS AULAS PARA TODOS. ELE NÃO É UM PROBLEMA, É A SOLUÇÃO PARA ENSINAR DIFERENTE PARA TODOS.

  • LEMBRE-SE: É um absurdo exigir exercícios de “fixação“ (repetitivos e numerosos) para qualquer estudante.

DICA: Assista o filme “Como Estrelas na Terra” (2007)

O filme conta a história de um menino e 9 anos chamado Ishaan Awasthi, ele sofre de dislexia, estuda em uma escola normal e repetiu uma vez o terceiro período e está correndo o risco de isso acontecer de novo. O menino diz que as letras dançam em sua frente e não consegue acompanhar as aulas e nem prestar atenção. Seu pai acredita que ele é indisciplinado e o trata com rudez e falta de sensibilidade.

PUBLICADO POR MARIA ELENA SOCZEK em  outubro 20th, 2016  em http://www.professoraelena.com.br/dislexia/

Facebook Comments
  • Parabéns pela matéria, informações bem esclarecedoras mas na prática é bem complicado para elas serem obedecidas pois falta muito para respeitarem os direitos de quem tem algum tipo de dificuldade meu filho tem 8 anos tem risco em dislexia é bem desgastante tudo que passamos para conseguir a inclusão escolar.
    Gostaria de receber mais informações mais uma vez parabéns pela matéria me ajudou mto .

  • Amei professora! Muito obrigada vou imprimir e deixar com a professora do meu filho! Ajudá-la a compreder melhor minha luta diária! Gratidão

  • Vocês conhecem uma escola ou professor que possa ensinar técnicas adequadas para alunos com dislexia, aqui em Brasília. O portador de dislexia é um rapaz de 28 anos analfabeto. tem outras habilidades e muito inteligente. Tem uma necessidade muito grande de aprender a ler. Como vocês podem ajuda-lo?

  • Oi, meu filho tem 09 anos e está tendo dificuldade com as provas e interesse pela escola. Ele sabe a matéria, ele compreende mais tem dificuldade de escrever corretamente. Muito erro de Português que são descontados pontos. Faz 02 fonos, psicóloga e psicopedagoga. Ensinamos em casa pq foi o único meio de conseguir que ele melhore os resultados para prova. Ele estuda em escola particular, ele tem direito a mediador?????

  • Meu filho tem dislexia está na 5série está bem complicado mas vamos vencer ele teve a gripe influensa A com 4 meses foi muitas internações hospitalares os médicos achan que esse foi o motivo da dislexia.

  • Gostaria de ajuda minha filha faz odonto,e está passando por muitaqui dificuldades pois os coordenadores dizem que ñ pode fAzer nada para melhorar o resultado dela nas provas. Nos descobrimos que ela tinha dislexia com 6 anos de idade!
    Ela tem o laudo do ABD.

  • Sou mãe de dois meninos com dislexia,o mais velho hoje com 20 anos,sofreu horrores na escola,com professores que só achavam que ele era preguiçoso e mal educado,ele não sentia mas nenhuma vontade para estudar. Foi quando no nono ano desconfiei e corri atrás,foi muito problemas até fechar diagnóstico. Hoje ele está cursando o quarto período de educação física,e para minha alegria com ótimas notas. só tenho agradecer a Deus,por mim fazer enchegar o problema e lutar por ele.
    Já com o meu segundo filho tudo foi mas fácil, como já tinha vivenciado a primeira experiência,tudo foi bem melhor, e com a ajuda da escola e de professores capacitados.

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