A EDUCAÇÃO ERRA !

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gaiola
É ensinado muitas coisas e é aprendido muito pouco. É o aluno que não aprende? É o professor que não ensina? Ou é o sistema inteiro que está fracassando? Vemos mudança na educação, o tempo todo, mas estas não mudam o sistema.

A biologia não é elaborada por um professor biólogo, a história não é contada pelo historiador. Atualmente até debutados interferem nos conteúdos, estes são criados ou banidos por pessoas que utilizam a educação para o seu bem egoísta e por vezes nem a formação inicial tem para isso.

A escola sempre foi um tédio e continua sendo. Um professor, um quadro e um giz. As crianças fazem cópias do quadro para se ocuparem e incomodarem menos. O quadro é artigo de punição e a criança passa a não compreender o que está escrito. Nossas crianças não compreendem o que leem. Em qualquer disciplina é necessário interpretar o que se lê, mas não conseguem. Talvez porque são matérias e não materiais, faria sentido se construísse simultaneamente.

As academias de Platão foram uma das primeiras formas de escola que surgiram. Eram espaços de reflexão, conversação e experimentação. Na Esparta havia instrução militar, aulas obrigatórias, castigos, dor, sofrimento, modelagem de conduta, os preparavam para a guerra. Muito tempo depois vieram as escolas mais modernas, como a de Napoleão que formou um corpo docente, para poder dirigir a opinião dos franceses. Mais tarde além de manipular a mente dos educandos, passou a treiná-los para ser bons trabalhadores ( fazer fila, respeitar a sua vez, etc). Como nas prisões e quarteis que tinham um sinal “o toque de recolher”, quando ouviam enfileiravam-se do menor para o maior e dirigiam-se a suas celas. Construímos nossas escolas a imagem e semelhança das prisões e fábricas. Está tão internalizado em todos, que parece loucura não o fazer.

Dentro de uma indústria, o trabalhador tem metas para atingir, sempre metas altas, superiores ao que produz normalmente. Na escola os trabalhadores são os professores, temos que ensinar a ler e a escrever (por exemplo) 32 crianças no primeiro ano, com 5 a 6 anos de idade, a meta aqui, também vai além da “produção”. A diferença é que na indústria, o patrão não cresce, na escola a sociedade não cresce. O produto é o mesmo sempre, as crianças são sempre diferentes umas das outras, 32 tamanhos diferentes, 32 vontades diferentes, 32 criações e educações diferentes, 32 necessidades diferentes…

A escola não responde as necessidades individuais. Não é por maldade do professor, pedagogo ou direção, estes dominam a teoria e gostariam de ser o que a criança precisa. Mas como conhecer 32 pessoas, ouvir a história de vida de cada um? Como interagir com qualidade com as famílias? Apenas a longo prazo, durante o ano. Alguns acabam ficando para trás. Fazemos avaliação diagnóstica no início do ano letivo, é o que nos faz perceber tantas diferenças, em meio a tropeções vamos descobrindo a essência de cada um, principalmente daqueles que conseguimos silenciar. No final do ano entregamos o portfólio e descobrimos que não levamos tanto em consideração as individualidades apontadas na avaliação inicial.

A criança é curiosa e tem necessidade de aprender, mas com a passar do tempo eles vão perdendo o interesse. No inicio folheiam livros para descobrir, depois, não querem folhar porque estão podados, cansados, aprender passou a ser chato. Tem escolas com o “toque da leitura”, é tocado um sinal, as crianças e funcionários devem parar o que estão fazendo e ler, ler qualquer coisa, como uma obrigação. Comparando com um adulto a criança tem capacidade superior de aprendizagem. Eles constroem a sí mesmos, aprendem com o outro, internalizam a cultura, automatizam a sua volta, brincando.

Ouvir de uma criança no domingo que amanhã será um péssimo dia, é triste. Mais triste ainda é ouvir de um professor a mesma frase. Pois estão frustrados porque as crianças não aceitam as ordens dadas. Adestrar quem pensa não é fácil. Pensar passou a ser considerado falta de respeito. O conhecimento muda o tempo todo, mas quem os fornece não muda ( “a grama é verde e o céu é azul e ponto final, foi assim que aprendi e será assim que ensinarei”).

Idealizamos alunos homogêneos, que aprendam a mesma coisa ao mesmo tempo. Você gosta da mesma coisa que seu pai? Você ouve, lê, faz tudo igual a seu irmão? Não se importam com o que a criança aprendeu, e sim, se ela reproduzir exatamente como foi ensinado.

Falamos de paz, porem não educamos para a paz. A escola cria pessoas competitivas, está longe de tornar as crianças com valores humanos, cooperativos, em comunidade, solidários, que almejam a liberdade e a igualdade. Mas o sistema tem promovido a injustiça, quer dar o mesmo para todos e mesmo assim colher a equidade. Há concorrência entre alunos, individualismo, discriminação, condicionamento, violência emocional, materialismo… O discurso é incoerente com a pratica.

Estudar não deveria ser consumir. Ensinar não deveria ser produzir. A escola deveria ser local de criação. Conteúdos são esquecidos. Criações são eternizadas.

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fevereiro 5th, 2016

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